Polícia
Policiais civis anunciam paralisação durante carnaval
08 de Fev de 2010 - 20h10min
Decisão foi tomada em assembleia no final da tarde desta segunda-feira;
principal reivindicação é ganhar 1/3 dos salários dos delegados
Em assembleia geral que terminou por volta das 17h30 desta
segunda-feira (08) e que contou com as presenças de mais de 250
pessoas, os policiais civis de Alagoas resolveram deflagrar greve
durante todo o período de carnaval. A partir da 00h00 do sábado, a
categoria promete se ausentar de todas as delegacias da capital e do
interior e isto significa que, no período de festa, nenhum cidadão
poderá prestar queixa sobre quaisquer crimes dos quais tenha sido
vítima e também não haverá flagrante de prisões que por ventura sejam
efetuadas pela Polícia Militar.
De acordo com Josimar Melo, vice-presidente do Sindicato dos Policiais
Civis, a paralisação foi a medida encontrada pelos agentes para tentar
pressionar o governo do estado a atender as reivindicações dos
policiais civis. “Desde novembro estamos querendo conversar com o
governador Teotônio Vilela, mas ele não abre um canal de negociação.
Por isso, não nos restou outra alternativa. Estaremos paralisando os
serviços a partir da 00h00 do sábado em todas as delegacias da capital
e do interior e só na quarta-feira (17), voltaremos as atividades.
Aliás, às 08h da quarta vamos fazer um café da manhã na direção geral
da Polícia Civil”, avisou o sindicalista.
1/3 do piso dos delegados
Segundo o vice-presidente, a principal reivindicação da categoria é ter
salários que equivalham a 1/3 dos vencimentos do delegado de polícia.
“É um piso justo. Nós trabalhamos tanto quanto os delegados e recebemos
bem menos por isso”, criticou ele.
O Sindipol também quer a extinção da Portaria nº 242, instituída pela
direção da Polícia Civil, que criou o horário comercial de trabalho.
“Nós não trabalhamos em empresa privada, onde os funcionários podem
deixar parte do serviço para mais tarde e saem para almoçar, voltando
duas horas depois. Quando um policial começa um trabalho, precisa
terminá-lo. O que queremos é que a nossa jornada seja de 24 horas de
serviço por 72 de folga”, explicou.
E a entidade ainda briga pelo fim do regulamento criado para contratar
estagiários para trabalhar nas delegacias. “Isso é um absurdo. O
estagiário será uma pessoa alheia ao nosso meio, não teve formação para
ser policial e não entende de investigação”, posicionou-se.
Mais uma assembleia
E na tarde desta terça-feira (09), uma assembleia unificada, envolvendo
os policiais civis, policiais militares e agentes penitenciários, que
acontecerá no Clube dos Sargentos, no bairro do Trapiche, vai discutir
se essas outras categorias também paralisarão as atividades durante o
carnaval.
“Ainda não sabemos se farão o mesmo que nós, mas serão incentivados a
isso. Infelizmente esse governo só funciona sobre pressão”, alfinetou
Josimar Melo.
O que diz a direção
O diretor geral da Polícia Civil, Marcílio Barenco, informou que ainda
não foi comunicado oficialmente da decisão dos policiais. Não posso me
pronunciar agora a respeito desse assunto. Tenho que esperar que o
Sindicato me informe sobre a paralisação para poder analisar a extensão
da manifestação e, a partir daí, tomar as providências cabíveis,
explicou ele.
Gazetaweb - com Janaina Ribeiro
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